Por Cláudio Munhoz
Um dos pontos altos da temporada teatral de 2007 foi, sem dúvida, a peça A Alma Imoral, um monólogo de Clarice Niskier, adaptado por ela do livro homônimo de Nilton Bonder. O texto da peça nos induz a uma reavaliação de princípios e valores que permeiam a vida em toda a sua dimensão, a partir da reflexão sobre conceitos de corpo e alma, certo e errado, traidor e traído, obediência e desobediência, e por aí vai.
O monólogo está estruturado em torno de histórias do Velho Testamento, de parábolas de sabedoria judaica e de informações históricas e científicas, entrelaçando temas como religião e biologia. Seu objetivo é levar-nos a meditar sobre o caráter da nossa missão, que vai além do sentido restrito da procriação, e nos oferece a possibilidade de vivermos a transcendência de nós mesmos.
“Não há tradição sem traição; não há traição sem tradição”, afirma Nilton Bonder, através da voz de Clarice. Segundo ainda o autor do livro, as tradições trazem o poder das instruções do passado. Mas a necessidade de transcendência, que por vezes é vista como "traição", está ligada ao princípio de continuidade da espécie. Nesse sentido, pode-se inferir que o conceito de alma, como força "traidora", traz o poder das instruções do futuro, como a colaborar em larga medida para a evolução da espécie.
Diante do espelho da consciência, materializado pela presença sóbria e elegante de Clarice no palco, experimentamos a sensação de projetar para o mundo externo as complexidades do mundo interior. Por conseguinte, o texto da peça converte-se num olhar arguto, através do qual nos defrontamos com a nudez tácita da própria alma. Mas afinal, em que consiste a imoralidade da nudez? Bem, a intenção de Clarice com esse trabalho magnífico é a de mobilizar o pensamento e a emoção do espectador na busca da resposta, cabendo a ele a árdua tarefa de desvendar tão instigante enigma.
Um dos pontos altos da temporada teatral de 2007 foi, sem dúvida, a peça A Alma Imoral, um monólogo de Clarice Niskier, adaptado por ela do livro homônimo de Nilton Bonder. O texto da peça nos induz a uma reavaliação de princípios e valores que permeiam a vida em toda a sua dimensão, a partir da reflexão sobre conceitos de corpo e alma, certo e errado, traidor e traído, obediência e desobediência, e por aí vai.
O monólogo está estruturado em torno de histórias do Velho Testamento, de parábolas de sabedoria judaica e de informações históricas e científicas, entrelaçando temas como religião e biologia. Seu objetivo é levar-nos a meditar sobre o caráter da nossa missão, que vai além do sentido restrito da procriação, e nos oferece a possibilidade de vivermos a transcendência de nós mesmos.
“Não há tradição sem traição; não há traição sem tradição”, afirma Nilton Bonder, através da voz de Clarice. Segundo ainda o autor do livro, as tradições trazem o poder das instruções do passado. Mas a necessidade de transcendência, que por vezes é vista como "traição", está ligada ao princípio de continuidade da espécie. Nesse sentido, pode-se inferir que o conceito de alma, como força "traidora", traz o poder das instruções do futuro, como a colaborar em larga medida para a evolução da espécie.
Diante do espelho da consciência, materializado pela presença sóbria e elegante de Clarice no palco, experimentamos a sensação de projetar para o mundo externo as complexidades do mundo interior. Por conseguinte, o texto da peça converte-se num olhar arguto, através do qual nos defrontamos com a nudez tácita da própria alma. Mas afinal, em que consiste a imoralidade da nudez? Bem, a intenção de Clarice com esse trabalho magnífico é a de mobilizar o pensamento e a emoção do espectador na busca da resposta, cabendo a ele a árdua tarefa de desvendar tão instigante enigma.
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