quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

COLUNA ATELIÊ LITERÁRIO (Edição No. 2)

O NASCIMENTO DE UMA HISTÓRIA

Por Cláudio Munhoz

Muitos devem se perguntar como nasce a idéia de um romance na mente de um escritor. De uma só tacada? Aos pedaços, como num jogo de quebra-cabeça? De que maneira as tramas centrais e periféricas são construídas? E os personagens, heróis, vilões e os menos favorecidos que povoam o mundo de uma obra ficcional, de onde vêm? Quem são, na verdade?

É bem provável que as respostas a essas e outras tantas indagações tenham muitas versões. Cada escritor naturalmente possui um método bem particular para conceber e desenvolver um enredo e as criaturas que nele se movimentarão. Uns escrevem por impulso, num processo quase intuitivo; outros já preferem uma construção mais sistemática. Seja como for, tão excitante quanto a leitura de um bom romance é imaginar o que se passou na cabeça daquele autor ao longo de todo o processo criativo.

Não sei se todos os escritores estariam dispostos a abrir espontaneamente as portas de seu mundo secreto, ou mesmo quando instigados por algum interlocutor. Todavia, em resposta ao que ninguém jamais me perguntou, tenho a revelar que, antes de me sentar diante do computador para dar início ao desenvolvimento de um romance, conto, roteiro ou peça, a história passa por um longo estágio de maturação mental. Em primeiro lugar, surge a idéia da trama principal, com as devidas aberturas para possíveis desdobramentos. Nesse momento, pouco a pouco os personagens começam a desembarcar em seu novo mundo, em atendimento a uma convocação imperiosa. Alguns chegam quase prontos, outros na forma de um embrião; mas todos passam por um período de incubação, ocasião em que lhes são modelados os atributos físicos e psicológicos. Em seguida, ou concomitantemente, o mundo onde a história se desenrolará e o tempo em que se situará são definidos ou especialmente construídos de tal modo que possam atender às necessidades e exigências para o bom andamento da trama.

Terminada essa etapa preliminar de construção do enredo, dos personagens e do cenário, tem início a fase de minha ambientação ao novo meio físico. É para lá que secretamente me mudo de mala e cuia e passo boa parte do meu tempo a viver as emoções e as sensações daquele ambiente, absorvendo os elementos que a sua atmosfera produz. Relaciono-me com os personagens na intimidade a ponto de sentir-lhes os movimentos, desejos, frustrações e toda a sorte de experiências. Junto com eles, enfim, participo ativamente de todos os fatos e eventos, como um sinal inequívoco de cumplicidade e solidariedade.

Daí para frente, a conversa muda de figura. É hora de me sentar diante do computador e começar a escrever a história. O resultado? Só Deus sabe. Sei apenas que a jornada é longa e imprevisível, apesar de todos os preparos e cuidados.

4 comentários:

Luh disse...

Oi Fofuxo!!! Legal essa sua idéia do Blog!!! Parabéns ficou show de bola!!!
Mas tenho que contestar algo:" eu já perguntei a vc como surgem seus trabalhos, inspiração , etc e tal !!! Lembra???? rsrsrsrs"
Tenha uma ótima noite!!! Beijos iluminados pra vc !!!!!!!!!

Écio Pedro disse...

Cláudio, consertei meu micro neste fim de semana e vejo que seu blog já está a todo vapor. Gostei muito desta edição nº 2 da Coluna Ateliê Literário, que nos permite conhecer seu processo de criação literária.
Tenho certeza que todos os amigos estão ansiosos para ver publicados seus livros já concluídos, mas, enquanto isso, podemos desfrutar aqui de seus belos textos sobre literatura e arte em geral.
Um forte abraço !!

Unknown disse...

Claudio,
Muito relevante!!!
Realmente fico me questionando como vem a inspiração e de que maneira isso é organizado na mente do seu criador.

Unknown disse...

Meu querido com é interessante este seu relato, há muito tempo eu queria tirar algumas dúvidas quanto a criação de personagens, histórias ,contos, etc, agora você de forma brilhante respondeu-me os questionamentos.
Muitos beijos